No círculo cínico ou Caro Lacan, por que negar a psicanálise aos canalhas?

livro_ricardo-goldenberg_no-circulo-cinico-ou-caro-lacanA máxima de ‘levar vantagem em tudo’, coerente com a corrupção crônica que infesta todos os estamentos da vida civil, parece exprimir uma verdadeira ética do malandro. Lado obscuro da fé cega de que sempre há de haver um jeito (para driblar as regras em benefício próprio). À lei universal internalizada do sujeito ético – há três séculos alicerce de toda reflexão sobre a moral – se substitui a paixão do esperto em ser a exceção que confirma a regra (dos outros). O problema é que esta exceção torna-se regra – a da malandragem -, e resulta difícil imaginar o que será feito dos tolos no dia em que se realize a sonhada nação da esperteza.

Vertigem desta curiosa dialética do malandro e do otário – versão bufa do legado hegeliano, mas não por isso merecedora de menor atenção – que o autor se dispõe a examinar neste trabalho. Menos para somar à legião dos descontentes (ou seja, daqueles que chegaram tarde ao reparte do bolo), que para demonstrá-la efeito de um novo discurso vigente na civilização. O discurso do cínico que, como qualquer outro, determina a organização mesma dos vínculos sociais em que se realiza e se exercita nossa subjetividade.

An Oak Tree

“Um Carvalho”, no original, “An Oak Tree“, foi apresentado por Michael Craig-Martin, o artista irlandês de 62 anos, pela primeira vez em Londres, em 1974, e se encontrava até o mês passado (março de 2004) na mostra A Bigger Splash, na Oca, no parque Ibirapuera de São Paulo…

 

Na exposição, “Um Carvalho” é acompanhado de um texto. Ei-lo:an oak tree

Pergunta – Para começar, você poderia descrever esta obra?
Resposta –
Sim, claro. O que fiz foi transformar um copo d’água em um carvalho sem alterar os acidentes do copo d’água. (mais…)

Disque

Escrevi para vocês um trabalho que se chama “Disque”. Disque, de discar, o que fazemos depois de pegar no telefone; selecionar uma combinatória de seis ou sete dígitos e confiar em que a Telesp irá nos pôr a pessoa certa do outro lado do fio. Acontecimento, diga-se de passagem, cada vez mais raro. (…)

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O sintoma de aprender

O título deste texto veio quando me apressava a entregar à comissão científica deste congresso a resenha de um trabalho sobre o qual mal tinha começado a pensar. Como era de se esperar, a resenha ficou tão sintética que ninguém entendeu nada. Pediram-me que fizesse outra, um pouquinho mais explícita. (…)

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O  significante

Representa o sujeito para outro

Significante

O sujeito é representado

Por um significante para outro

Significante

O inconsciente é

O discurso do Outro.

O desejo é

O desejo do Outro.

E o Outro?

O Outro não existe…

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O quilombo dos psicanalistas

Fui informado que devo royalties a Gustavo Etkin pelo título que escolhi para esta comunicação ao congresso. Proponho um

pequeno escambo para saldar minha dívida: o trabalho destas reflexões em troca do pagamento devido. (…)

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Serestar

Quando soube que a APPOA dedicaria seu congresso anual de 2006 aos temas do Seminário XI achei providencial, já que estivera enfronhado durante mais de um ano no problema da liberdade. Apresentaria pois um relatório do que vinha desenvolvendo com meus colegas de Percurso Psicanalítico de Brasília: a relação entre determinação e liberdade à luz do inconsciente freudiano. (…)

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O significante démodé

significante, dizia Lacan, representa o sujeito para outro significante. Esta fórmula, este encantamento, repetido durante trinta anos até a exaustão, mostra, sem explicar, a concepção lacaniana de linguagem —esse lugar transcendental, onde subjetividade e significante permanecem enlaçados em mútua remissão. (…)

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Ideias de Lacan

Humphrey Bogart nunca disse “play it again, Sam”, em Casablanca. Nem Sherlock Holmes, “elementary, my dear Watson”. Tampouco Jacques Lacan recomendou “ne pas céder sur son désir”, no Seminário. Esta versão recolhe o que restou da sua tentativa de teorizar uma ética da psicanálise, em 1959. (…)

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DSM-IV E NÓS

Em vez de perder tempo descabelando-nos pelo triunfo da psiquiatria armada de DSMIV, os psicanalistas deveríamos preguntar-nos por que estamos deixando de ter espaço na sociedade para fazer chegar aos cidadãos a sua própria mensagem de modo invertido. (…)

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