
Christian Ingo Lenz Dunker
(Para Boitempo)
O novo livro de Ricardo Goldenberg, Do amor louco e outros amores (Editora Instituto Langage, São Paulo, 2013), é uma grata surpresa no cenário de publicações psicanalíticas sobre o amor. Há algum tempo este tema vem sendo parasitado por uma glosa, mais ou menos repetitiva, sempre em tom sapiental, sobre como Lacan ou Freud, podem nos alumiar nas trevas líquidas e desencontradas que tomaram conta de nossa época em matéria de amor. A coisa caminha de tal forma que quando conseguimos dizer alguma coisa a mais, e ademais interessante, geralmente é para nos reconhecermos como parte da grande narrativa moderna, que é o romance. Os romances nos ensinam a amar, um pouco mais do que os manuais de arserotica e os guias de sexologia, e um tanto menos do que as palavras íntimas, cada vez mais raras, entre amigos, amantes e quejandos. (mais…)



A globalização, mais recente avatar do capitalismo, interage com a Psicanálise numa via de mão dupla; por um lado, as novas relações econômicas e sociais atuam sobre o sujeito, provocando o aparecimento de novos sintomas. Os psicanalistas, por sua vez, não cessam de interrogar, a partir da sua clínica, os efeitos do laço social capitalista no sujeito e na pólis. Este volume reúne algumas das contribuições mais representativas desse esforço de teorização acerca da relação entre sujeito e objeto na sociedade capitalista. Juntamente com analistas de diversas escolas, profissionais das áreas de Sociologia, Direito, Filosofia e Jornalismo discutem os efeitos do Capitalismo na subjetividade hodierna.
Os textos que compõem este livro refletem, sem eu saber, diferentes estados da minha relação com o amor e com a minha prática de psicanalista. São, acredito, a mesma coisa. A pergunta pelo desejo insiste em todos eles, às vezes desde meu consultório, outras, a partir do (des)encontro com uma mulher ou com um amigo. Ela me é remetida por um filme, um poema ou um romance; ou, então me retorna da leitura de uma notícia de jornal ou, claro, dos meus monólogos assistidos no divã.

Psicanálise e política não se opõem. Erra quem ainda acredita que uma se ocupa do coletivo enquanto a outra cuida do individual. Erra também quem ve na política a arte de manipular as massas mediante miragens e na psicanálise, a de revelar-lhes o caroço da verdade subjacente. 